sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Tradução

Caros,

Antes de comentar Camões, segue, em tradução minha, um lindo poema do meu querido amigo Zachary Lusten, mon semblable, mon frère. Abraço a todos. E.

TRADUÇÃO

a Dens Dimins, 
após ler-lhe a tradução de "O Sonho", de Pasternak, 
e de um poema de Mandelstam sobre Homero.  

As fronteiras de ontem: espumas de tumulto. Homero a divina insônia recitava. O que era negro nadava no ribombo. E no vácuo do granizo o outono, um sonho, a águia. O calor dobrava o eco do silêncio. O dia ia escapando da vigília. Os céus: espinhos congelados.

Agora a insônia espuma a travessia. O que é translúcido em ribombo nada, e, se há tumulto, a águia espira de silêncio quando o sonho cai. A vigília escapa ao dia. E a terra soa vácua a quem degela espinhos. Homero inda recita.  

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