Caros,
Antes de comentar Camões, segue, em tradução minha, um lindo poema do meu querido amigo Zachary Lusten, mon semblable, mon frère. Abraço a todos. E.
TRADUÇÃO
a Dens Dimins,
após ler-lhe a tradução de "O Sonho", de Pasternak,
e de um poema de Mandelstam sobre Homero.
As fronteiras de
ontem: espumas de tumulto. Homero a divina insônia recitava. O que era negro
nadava no ribombo. E no vácuo do granizo o outono, um sonho, a águia. O calor
dobrava o eco do silêncio. O dia ia escapando da vigília. Os céus: espinhos
congelados.
Agora a insônia
espuma a travessia. O que é translúcido em ribombo nada, e, se há
tumulto, a águia espira de silêncio quando o sonho cai. A vigília escapa ao
dia. E a terra soa vácua a quem degela espinhos. Homero inda recita.
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