segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Encher e chutar o balde

É, vocês conhecem aquele dito, de certa miserável vaca leiteira, que dava cem litros de leite, só para poder chutar o balde com mais gosto...
A recém-lançada coleção Saraiva de Bolso é igualzinha à sobredita vaca.
Pois bem: acabam de lançar a Ilíada e a Odisseia na fenomenal tradução de Carlos Alberto Nunes, e a um precinho baratinho, -- mas acharam por bem, levados, quiçá, pelo bradpittiano Troia, trocar o 'obscuro' nome Odisseu pelo algo mais familiar Ulisses... Que papelão... Eta vaca véia sem jeito!
Dois exemplos devem bastar; um da Ilíada:

"Idomeneu, o fortíssimo Ajaz. Ulisses, porventura";

da Odisseia o outro:

"Palas a todos contava do divo Ulisses os trabalhos"; 

e em ambos o torpe assassinato de Odisseu e do ritmo dactílico, e versos antes perfeitos agora de pé quebrado.
Escrevi à Nova Fronteira, que detém os direitos das traduções. Estou indignadíssimo. Por favor, espalhem, escrevam, indignem-se. É o fim da picada.

PS: O nosso grande Xoxó acaba de glosar esse mote. Confiram: http://cariboxoxo.blogspot.com/2011/09/xoxo-acompanha-erico-nogueira-festa-de.html

12 comentários:

  1. Não bastasse o "Ulisses" fora do ritmo, a Odisséia de bolso, a despeito de três preparadores de originais, manteve erro de efeito semelhante que a 6a edição da Ediouro INSERIU na sua própria e melhor edição anterior. Não a posso indicar, porque a Ediouro então (anos 80) não a informava. Mas digo que se trata daquele formato pequeno, menor do que este novo, porém mais bem cuidado: no verso 38 lê-se:

    "do próprio Atrida se uniu imolando-o no dia da volta",

    em que os acentos recaem em prÓ, trI, nIU, lAN, dI, e vOL

    o seja, 2a, 4a, 7a, 10a, 13a, e 16a como deve ser para manter-se o andamento datílico.

    JPois bem, a edição de 2004, já em formato maior, e esta atual trazem "Átrida", proparoxítono, contra a forma que Carlos Alberto Nunes escolheu, que, inclusive, é a correta, abonada pelo Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Academia de Ciências de Lisboa.

    Sem maiores vitupérios, digo que isso ocorre porque as editoras não convocam para isso especialistas em Letras Clássicas.

    João Angelo Oliva Neto

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  2. Grande João Angelo Oliva Neto, que bom te enontrar por aqui! Meu velho, uma pequena ajuda, como faço pra encontrar "O livro de Catulo"? Praticamente tudo o que li deste poeta até então foi em Língua Inglesa, gostaria muito de conhecê-lo em meu idioma e, ainda mais, em tradução tão bem recomendada.

    Forte abraço, Xoxó

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  3. grave!! que tal contatar a viúva? o direito moral à integridade da obra é um dos poucos direitos autorais inalienáveis - a editora jamais poderia ter mudado o texto.

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  4. eis minha manifestação: http://naogostodeplagio.blogspot.com/2011/09/nao-pode-e-ponto.html

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  5. Prezado Érico,
    Você faz uma crítica, não entrarei no mérito da legitimidade ou não, mas diz que escreveu à dita editora. Ela, a editora, já se manifestou ou ao menos deu uma explicação sobre o critério adotado?
    Parece-me um tanto ou quanto precipitada a sua publicação sem uma explicaçõa sequer da Nova Fronteira, a não ser que você já a tenha recebido. Se sim, por favor, poste-a aqui para sabermos a explicação para o ocorrido.

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  6. Caro Anônimo,

    Entrei em contacto com a editora -- e avisei que iria escrever sobre o ocorrido, independentemente de retorno ou resposta da parte deles. Minha publicação não é precipitada não, pelo simples facto de que a edição adulterada já foi, ela sim precipitadamente, para as livrarias... É claro que espero de uma editora do porte da Nova Fronteira uma ação rápida e firme para sanar o problema. Se tal ação vier, escrevo de novo, dessa feita tão benevolente e elogioso quanto agora estou indignado e de saco cheio. Cordialmente. E.

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  7. PS: Em tempo, Anônimo: sugiro que a Nova Fronteira contrate um especialista em Letras Clássicas para re-editar direitinho essas traduções.

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  8. Caro Anônimo, o Érico não fez uma mera crítica, ele constatou um problema grave de versificação na edição de bolso da Ilíada e da Odisséia, problema tal que, inclusive, fere o cuidadosíssimo trabalho do tradutor, nada menos do que o Carlos Alberto Nunes. Só há um caminho neste caso: um pedido de desculpas e uma nova edição com os problemas (há também o da mudança de acentuação da palavra Atrida para Átrida, conforme acentuou o João Ângelo O. N.) resolvidos.

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  9. Prezados
    Não quis criar nenhuma polêmica, apenas gostaria de saber a posição da Editora.
    Quanto a sua recomendação, Érico, de contratação de um especialista em Letras Clássicas pela Nova Fronteira, sugiro que você faça diretamente aos responsáveis, não tenho nenhum vínculo com a mesma e nem estou defendendo ninguém. Só entrei nesse assunto porque também adquiri o exemplar e vi a sua postagem aqui por acaso. Como sou leigo no assunto nada percebi de errado, mas quando vi o post resolvi acompanhar.

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  10. olá, érico: outro dia eu tinha deixado um link de um post sobre o assunto que divulguei no nãogosto; acabou não saindo, mas tudo bem: deixo aqui o follow-up. http://naogostodeplagio.blogspot.com/2011/09/nao-pode-e-ponto-saraiva-e-nova.html

    abraço, e parabéns
    denise

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  11. Acabo de ver no blog da Denise que ela entrou em contato com a Nova Fronteira e recebeu todas as respostas para as questões que colocou.
    Achei bastante rápida a ação dela e fiquei satisfeito em saber que o caso será sanado a contento.

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  12. acabei de receber um comentário interessante lá no blog:
    William disse...
    Por curiosidade, passei hoje numa livraria Saraiva aqui em São Paulo e vi expostos os livros que compõem a coleção. Não, a Odisseia não estava entre eles.
    Por teimosia, perguntei se eles tinham, e a resposta que tive foi verdadeira: "Os livros foram recolhidos por causa de um erro de impressão. O texto já foi corrigido, mas ainda não recebemos a nova versão aqui na loja".
    http://naogostodeplagio.blogspot.com/2011/09/nao-pode-e-ponto-saraiva-e-nova.html

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